quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Tenho sensações que dá vontade de guardar na alma.

"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de uma àspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo."

Raduan Nassar, Lavoura Arcaica

"De suave e aérea a hora era uma ara onde orar."

" Príncipe de melhores horas, outrora eu fui tua princesa, e amámo-nos com um amor doutra espécie, cuja memória me dói."

"Também meu coração vai a uma igreja que não sabe onde é, vai vestido de um traje de veludo infante, com a cara corada das primeiras impressões a sorrir sem olhos tristes por cima do colarinho muito grande."

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego


Tenho sensações que dá vontade de guardar na alma.
Sensações que não sei nomear.
Se dissolvem dentro do turbilhão de pensamentos, do cotidiano cheio de acontecimentos.
São solúveis, não por fraqueza.
São dissolvidas por serem sutis. E mostram, que eu preciso somente: de mim mesmo.
Tenho sensações que dá vontade de guardar na alma.

Um comentário:

Anônimo disse...

... Costumo guardar essas sensações ... em caixas de pra sempre ...